
VISUAL: Depois de ficar no ar por 9 horas e 30 minutos, André bate recorde sul-americano
(Foto de divulgação)
Por Mariana Mesquita, da Go Outside online
Em novembro de 2011, pilotos em busca de um novo ponto de salto de asa delta trocaram a tradicional região do Nordeste por Caçapava do Sul, no Rio Grande do Sul . A mudança deu certo. No começo de fevereiro deste ano, o gaúcho André Wolf estabeleceu um novo recorde brasileiro e sul-americano ao atravessar a fronteira com a Argentina e pousar próximo à cidade de Mercedes, na província de Corrientes.
O piloto decolou às 11 horas da manhã e voou por incríveis 9 horas e 30 minutos, percorrendo 495 quilômetros em linha reta, entre os Pampas Gaúchos e a fronteira de nossos “hermanos”. O recorde anterior também era dele: em 2007, André decolou de Quixadá, no Ceará, e voou por 455 quilômetros.
Em entrevista à Go Outside online, André conta como foi planejar a aventura e fala de seus planos futuros.
GO OUTSIDE: Como foi bater seu próprio recorde?
ANDRÉ WOLF: Esse último vôo foi muito interessante, porque voei com um aparelho localizador que se chama Spot – uma revolução, principalmente para quem quer acompanhar uma pessoa numa aventura dessas. Ele funciona via satélite, e a cada dez minutos emite um sinal para uma página da internet que cria um mapa baseado Google Maps. Então é possível acompanhar o voo inteiro. O pessoal acompanhou tudo online, e quando cheguei na Argentina o público já sabia do recorde – coisa que antes demorava um bom tempo. Isso ajuda a aproximar o público da minha modalidade.
Como foi o treinamento para o salto recorde? Aconteceu alguma coisa fora do planejado?
No começo de cada ano organizo uma planilha com etapas e capeonatos dos quais pretendo participar, sempre visando algo maior -- no caso, o recorde sul-americano. Em 2012, meu treinamento está planejado visando a conquista do recorde mundial, além de chegar bem em janeiro de 2013 à Austrália para o Mundial. Tudo deu certo em meu último voo, e por sorte nada saiu do planejado.
Quais são os grandes riscos de ficar tanto tempo no ar?
Eu acredito que a fadiga muscular e mental. Isso pode prejudicar a segurança, principalmente para quem não se alimenta direito. Já vi pilotos que esquecem a comida e começam a ter tonturas, dor de cabeça e vertigem. É muito arriscado até para poder pousar. Asa delta é um esporte de risco que, às vezes, envolve acidentes. É um esporte radical, mas a gente minimiza tentando acertar todos os detalhes, principalmente antes da decolagem.
Quais os principais cuidados para voos tão longos?
Uma preparação física e mental para aguentar tanto tempo no ar é essencial. Além disso, o cuidado com a alimentação, porque o desgaste no voo é muito grande. Água também é importante. Organização e bom treino também são itens fundamentais.


MANDOU BEM! Imagens de André momentos antes do vôo
(Foto divulgação)
De todos os voos dos quais você já participou, existe algum preferido?
Quanto mais longe, melhor. Os campeonatos são diferentes dos voos em distância. Em competições, geralmente, os pilotos voam juntos, e a prova consome apenas umas 3 horas do dia. Já nos voos de recordes a decolagem rola cedo, e o vôo dura o dia inteiro. Gosto bastante desse tipo de desafio. Sem dúvida, o momento mais marcante foi um voo no Texas, em 2001, o mais longo que eu já fiz. Foram 10 horas e 40 minutos. Além disso, cheguei muito perto de bater um recorde mundial: percorri 642 quilômetros, e o recorde atual é do austríaco Manfred Ruf, que ficou no ar por 700 quilômetros.
Pode dizer quais seus planos futuros?
O recorde que eu quero quebrar é o mundial. É um sonho, porque cheguei tão perto. Então pretendo tentar de novo em breve.